Por onde eu começo?
A pergunta que mais me fazem em jantar de família, e o que eu finalmente fiz com ela.
Oi, bom te ver de novo por aqui.
Hoje eu quero te contar de uma coisa que vinha rascunhando há meses e que finalmente saiu do Notion essa semana. Mas antes de mostrar o que é, preciso te contar a cena que fez isso existir, porque sem ela o resto não faz sentido.
A cena
É sempre quase igual. Um jantar de família, um café com um amigo de um amigo, uma DM no LinkedIn no domingo de noite. O contexto muda, a pessoa muda, mas a frase chega numa versão de:
“Gui, eu sei que IA é importante. Mas eu não entendo nada disso. Por onde eu começo?”
E aí vem o silêncio constrangido, porque a pessoa do outro lado já se ouviu pedindo a mesma coisa pra duas ou três pessoas antes, e nenhuma delas conseguiu responder de um jeito que cabia. A resposta padrão é “ah, faz um curso”, e a próxima frase é sempre uma versão de “fiz, mas larguei no módulo três”.
Eu passei muito tempo respondendo essa pergunta de improviso. Mandando link de vídeo, recomendando um artigo, sugerindo o livro X ou o canal Y. E percebi uma coisa desconfortável: cada vez que eu respondia, eu estava tentando empacotar pra essa pessoa um caminho que eu mesmo nunca tinha desenhado direito. Eu sabia o que tinha funcionado pra mim, mas eu sou engenheiro, tive paciência pra coisas que ninguém tem paciência, e o caminho que serviu pra mim não serve pra um diretor financeiro com três filhos e duas reuniões antes do almoço.
O que existe lá fora não resolve
Toda vez que eu sentava pra recomendar alguma coisa, batia o problema:
Os cursos pagos são caros e longos. Quem tá começando não consegue se convencer de gastar dois mil reais antes de saber se IA é mesmo pra ele. E os de cem horas viram cemitério de aba aberta.
Os cursos gratuitos no YouTube são bons, mas estão soltos. Cada um começa do zero, ninguém te leva da mão. Quem nunca tocou no assunto não sabe o que assistir primeiro nem o que pular.
Os artigos sérios são técnicos demais. Falam de transformer, de embedding, de RAG. Boa parte da pessoa que me pergunta não precisa disso. Ela precisa saber se confia ou não confia, se vai economizar tempo ou não, e onde encaixar no dia de quinta-feira.
E os conteúdos populares são vazios. Hype, hype, hype, “vai mudar tudo”, “10 prompts que vão revolucionar a sua vida”. A pessoa sai sem aprender nada, e ainda fica achando que tem alguma coisa errada com ela por não estar empolgada.
A conclusão, depois de meses ouvindo a mesma pergunta, foi simples: ninguém precisa de mais um curso de doutorado em transformer. Precisa de um caminho. Pequeno, diário, com começo, meio e fim.
O que eu construí
Chama academia-ia. É uma trilha de 30 dias.
Cada dia é uma aula de 10 a 20 minutos. Você abre, lê, assiste, faz um exercício pequeno, fecha. No dia seguinte tem outra. Não tem fila, não tem turma, não tem prazo. Você começa quando quiser, e se atrasar dois dias o programa te espera.
No fim dos 30 dias você não vai ser pesquisador da OpenAI. Mas vai entender:
o que é IA generativa de verdade, sem a mitologia da imprensa
como escrever prompts que funcionam, e por que os seus não funcionam hoje
onde encaixar IA nas coisas que você já faz: email, decisão, análise, pesquisa, criação
quando confiar e quando duvidar, como detectar alucinação antes que ela te custe credibilidade
e o que vem depois disso: agentes, automação, fluxos que rodam sozinhos
É pra quem se sente atrás. O gestor que sentiu o chão fugir nos últimos doze meses. O profissional que abre o ChatGPT todo dia mas tem a impressão de tá usando 5% do que dá. O empreendedor querendo entender onde IA encosta no negócio dele de verdade, e não em deck de palestra. O curioso que sempre adiou isso pra “quando tiver tempo”.
Se você é engenheiro de ML procurando matemática de transformer, esse curso não é pra você. Mas é provável que você ouça as mesmas perguntas que eu ouço.
Por que 10 a 20 minutos por dia
Porque eu sei como você é. E sei porque eu sou igual.
Você se inscreve num curso de doze horas com a melhor das intenções. Abre o primeiro módulo num sábado de manhã, faz duas horas, sai pra almoçar achando que voltou a vida acadêmica. No domingo perde o segundo módulo porque a família apareceu. Na segunda começa o terceiro, mas tem uma reunião. E quando você vê, passou um mês, a aba do navegador continua aberta na seção 4, e você já não lembra mais o que tinha no 3.
Dez minutos por dia, por outro lado, cabe. Cabe no café da manhã, cabe entre uma reunião e outra, cabe no Uber. Disciplina pequena entrega resultado grande, e isso eu aprendi não num livro de produtividade mas construindo coisa por aqui, um pequeno commit por vez, durante anos.
Trinta dias também tem uma graça que eu só fui notar depois: é mais ou menos o tempo que um hábito leva pra virar segunda natureza. Se você for honesto com os 30 dias, no Dia 30 IA não vai mais ser “aquela coisa que eu preciso aprender”. Vai ser uma ferramenta que você abre sem pensar, do mesmo jeito que você abre Google ou WhatsApp.
Por que de graça
Essa é a parte que mais incomodou algumas pessoas próximas quando eu contei.
“Mas Gui, você tá deixando dinheiro na mesa.” Talvez esteja. Mas tem três coisas que valem mais do que esse dinheiro.
A primeira é que eu acredito, e acredito do jeito que dói um pouquinho, que IA não pode ser privilégio. A janela pra entrar nessa onda é estreita. Quem ficar de fora agora vai ficar de fora por uma década, e quando voltar a olhar a ponte já vai estar do outro lado. Eu não quero isso pra ninguém que tenha vontade de aprender e que esteja sendo barrado só por preço. Cobrar duzentos reais por isso ia filtrar exatamente as pessoas que mais precisam.
A segunda é que eu queria fazer alguma coisa de aniversário que não fosse só comer bolo. Construir uma coisa e deixar de presente no mundo me pareceu mais bonito do que o post no Instagram com a frase motivacional de “novo ciclo".
A terceira, e essa é a de verdade, é uma frase da minha mãe que eu cresci ouvindo: faça o seu melhor sem esperar nada em troca. Ela tava certa, e levei bastante tempo pra entender. Cobrar virou quase um reflexo no mundo de startup, e às vezes a gente se esquece de que tem coisa que você faz simplesmente porque é a coisa certa de fazer. Esse curso, no momento da minha vida em que eu tô, é uma dessas.
Sem cadastro de cartão. Sem upsell. Sem “premium” escondido atrás de paywall. É o curso inteiro, pra sempre, na unha.
Bora?
A academia tá no ar em academia-ia.mindapps.ai.
Se você é a pessoa que sempre se prometeu “esse mês eu começo a entender IA pra valer”, esse mês é esse mês. Você se inscreve, recebe o Dia 1 no email, e começa amanhã de manhã. Se travar, me responde por aqui mesmo, eu leio. Eu fiz esse curso nos momentos de calmaria nos cuidados com meu pai acamado. Então, se tiver algum bug, só responder esse email que corrijo.
E se você conhece alguém que tá preso nesse limbo de “sei que é importante mas não sei por onde” e provavelmente conhece, todo mundo conhece pelo menos uma pessoa… compartilha esse texto com ela. Esse mês também é dela.
Obrigado por estar por aqui, como sempre.
Abs,
Guilherme
PS: hoje também é meu aniversário. Construir essa coisa e abrir de graça foi o jeito que eu encontrei de marcar a data. Se quiser me dar um presente, manda pra alguém que precisa.



