Coloquei o agente de IA Clawdbot para rodar na minha máquina principal. Eis o que aprendi.
De Claude Opus 4.5 a modelo local: como configurei um agente de IA que responde no WhatsApp, posta nas redes e gerencia minha rotina - sem custo recorrente. Setup, armadilhas e aprendizados.
O que é o Clawdbot (em breve Moltbot)
O Clawdbot é um assistente de IA auto-hospedado que viralizou no início de 2026. Criado por Peter Steinberger (fundador da PSPDFKit), representa um novo paradigma: um agente que roda na sua máquina, com memória persistente, acesso às suas ferramentas e disponível 24/7 via WhatsApp, Telegram ou Slack.
Diferente do ChatGPT ou Siri, você controla tudo. Seus dados ficam com você. E o agente aprende suas preferências ao longo do tempo.
O projeto está mudando de nome para Moltbot. Aviso que quando o agente agir em meu nome publicamente (posts no Twitter, Substack), ele usa o prefixo [clawdbot] ou [molty] para identificar que o conteúdo foi gerado por ele.
Por que é inovador
A inovação real não está na tecnologia isolada. Está na integração. O Clawdbot usa o Model Context Protocol (MCP) para conectar com serviços externos: Google Calendar, Gmail, Notion, Todoist, Spotify, dispositivos smart home. Cada integração expande o que ele pode fazer.
Clawdbot vs N8N e outros orquestradores
Você pode estar pensando: “Isso parece um N8N da vida. Qual a diferença?”
A diferença fundamental é a interface. No N8N, você configura fluxos visualmente, arrasta blocos, conecta triggers. É poderoso, mas você está programando.
No Clawdbot, você configura conversando. Quer mudar a frequência de posts? Manda mensagem. Quer ajustar o tom das respostas? Explica o que quer. Quer adicionar uma nova automação? Descreve em linguagem natural.
O agente entende contexto, lembra de decisões anteriores e se adapta. Não é um fluxo estático que você desenhou uma vez. É um sistema que evolui conforme você usa.
Isso muda completamente a experiência. Em vez de abrir uma interface, pensar em lógica de automação e testar fluxos, você simplesmente conversa pelo WhatsApp como se fosse um colega.
Uso pessoal vs profissional
Uso o Clawdbot para fins pessoais: automatizar minha presença digital, organizar minha rotina, gerenciar tarefas repetitivas do dia a dia.
Para contexto profissional (trabalho em equipe, código em produção, projetos corporativos) minha recomendação é outra: Claude Code para desenvolvimento e Claude Cowork para colaboração. São ferramentas desenhadas para esse contexto, com as proteções e integrações adequadas.
O Clawdbot brilha na integração com a vida pessoal. É ali que a configuração via conversa faz mais sentido. Você não quer abrir um painel de controle para ajustar como seu assistente pessoal se comporta. Você quer mandar uma mensagem e pronto.
O que o Clawdbot pode fazer
Agendamento e calendário
“Agende uma reunião para terça à tarde” — ele verifica seus horários livres, encontra slots disponíveis e pode até enviar convites.
Triagem de emails
“Resuma meus emails não lidos e rascunhe respostas para os urgentes” — deixe o agente lidar com a caixa de entrada enquanto você trabalha no que importa.
Controle de smart home
“Apague todas as luzes e coloque o ar em 22°C” — controla Philips Hue, HomeKit, Home Assistant via conversa natural.
Notas e pesquisa
“Adicione este artigo à minha lista de leitura no Notion com um resumo” — integra com Notion, Obsidian, Apple Notes.
Briefings diários
Configure jobs agendados para receber resumos matinais com clima, eventos do calendário e lembretes importantes.
Mídia e entretenimento
“Toque minha playlist de foco no Spotify” — controle de reprodução e recomendações baseadas no seu humor ou atividade.
Automação de conteúdo (meu caso)
“faça um post no twitter sobre [link]. Advoque em favor do seguinte posicionamento [posicionamento]".
Como instalar
Várias opções disponíveis:
Passo a passo básico (5 minutos)
Escolha o método de instalação — Docker para servidores, Homebrew para terminal, macOS App para setup mais fácil
Configure o provedor de IA — Adicione sua API key (Claude/Anthropic, GPT-4/OpenAI, ou modelo local)
Conecte seu canal de chat — WhatsApp, Telegram, Slack ou Discord para conversar de qualquer lugar
Adicione integrações MCP — Calendário, email, Notion, Todoist, smart home, conforme sua necessidade
Comece a conversar — Envie sua primeira mensagem e veja funcionar
Documentação completa em docs.clawd.bot.
Meu setup (diferente do recomendado)
A recomendação oficial é criar conta de email e número de WhatsApp separados para o bot. Eu não fiz isso.
Instalei o Clawdbot diretamente na minha máquina de trabalho principal (MacBook Pro M2, 16GB RAM). Me comunico com ele pelo meu WhatsApp pessoal.
O problema inicial
Quando ativei, o bot tentava responder todas as mensagens que chegavam no meu WhatsApp. Qualquer pessoa que me mandava mensagem recebia uma tentativa de resposta (que falhava porque não estava configurado). Caos.
A solução: permissões granulares
Configurei assim:
Google Workspace: somente leitura
Gmail: lê emails, não envia
Calendar: lê eventos, não cria
Contacts: lê contatos
Drive: lê arquivos
WhatsApp:
Lê todas as mensagens
Só responde às que EU envio para mim mesmo
Não responde em grupos
Não responde a desconhecidos
Twitter: liberdade total
É uma rede que desconsidero no meu dia a dia
Uso apenas para me informar sobre a bolha tech
Se o bot fizer besteira ali, não me afeta
Tudo via projeto no Google Cloud. Consigo medir custos e desplugar imediatamente se algo der errado.
Evolução dos modelos e custos
O modelo local é viável para a maioria das tarefas. Mas encontrei um problema: sobrecarga de memória RAM. Quando rodo scripts pesados ou apps pesados simultaneamente, a máquina trava. O modelo de 20B parâmetros compete por recursos com o resto do sistema.
Para quem tem 32GB+ de RAM, provavelmente não é problema. Com 16GB, precisa gerenciar.
Parametrização
O Clawdbot cria e mantém automaticamente uma pasta de configuração (clawd/ no meu caso). Essa pasta contém:
clawd/
├── SOUL.md # Princípios operacionais do agente
├── IDENTITY.md # Persona pública [molty]
├── MEMORY.md # Memória de longo prazo curada
├── TOOLS.md # Configurações do ambiente
├── HEARTBEAT.md # Checklist de verificações periódicas
├── USER.md # Contexto sobre mim
├── scripts/ # Scripts Python (OAuth, posting, etc.)
└── memory/ # Logs diários (YYYY-MM-DD.md)
O sistema cria e atualiza esses arquivos automaticamente conforme você conversa com o agente. Ele aprende suas preferências, registra decisões, ajusta comportamentos.
Versionamento e refinamento com Claude Code
Eu versiono essa pasta clawd/ no GitHub. Por quê?
Backup: se algo der errado, volto para uma versão anterior
Histórico: vejo como o agente evoluiu ao longo do tempo
Portabilidade: posso replicar em outra máquina
Mas o passo que fez diferença real: usei o Claude Code (com Opus 4.5) para revisar e melhorar a configuração dos arquivos dessa pasta.
Abri a pasta no Claude Code e pedi para analisar inconsistências, redundâncias, oportunidades de melhoria. Ele encontrou:
Arquivos referenciados que não existiam
Duplicação de informação entre arquivos
Configurações espalhadas em lugares errados
Nomenclatura inconsistente
Corrigimos tudo em uma sessão. O resultado foi um agente mais inteligente, com memória melhor organizada e comportamento mais previsível. Esse tipo de otimização é chave para conseguir utilizar modelos de LLMs localmente.
É uma combinação poderosa: o Clawdbot (com LLMs Locais) gerencia a rotina diária, o Claude Code refina a arquitetura do sistema. Cada um no seu papel. Um ótimo custo benefício.
Quando NÃO usar o Clawdbot
Tarefas que exigem julgamento crítico
O agente é bom em executar. Não é bom em decidir coisas importantes. Emails sensíveis, decisões de negócio, comunicação com stakeholders — faça você mesmo.
Quando a latência importa
Respostas levam alguns segundos. Se você precisa de resposta instantânea, não é o caso de uso.
Dados altamente sensíveis
Mesmo auto-hospedado, você está dando acesso a um modelo de IA. Senhas, dados financeiros, informações confidenciais de clientes — mantenha separado.
Se você não tem tolerância para ajustes
O setup inicial funciona. Mas para extrair valor real, você vai precisar ajustar configurações, corrigir comportamentos, refinar permissões. Se isso te irrita, talvez não seja para você.
Hardware limitado (para modelo local)
Com 16GB de RAM, rodar modelo local + apps pesados simultaneamente causa problemas. Avalie se vale o trade-off ou se prefere pagar pela API.
O real poder: integração genuína na rotina
Depois de algumas semanas usando, percebi que o valor não está nas features individuais. Está na integração.
O Clawdbot não é uma ferramenta que abro quando preciso. É um colega que está ali, acessível pelo WhatsApp, assumindo tarefas repetitivas:
Verificar emails urgentes
Lembrar de eventos próximos
Postar conteúdo nas redes
Organizar informações
Tarefas que eu faria de qualquer jeito, mas que consomem tempo e atenção. O agente libera esses recursos para o que realmente importa.
E quando ele age em meu nome publicamente, usa o prefixo [molty] ou [clawdbot]. Acredito na necessidade de transparência sobre o que é gerado por IA neste momento.
Conclusão
O Clawdbot (em breve Moltbot) representa o que assistentes de IA deveriam ser: auto-hospedados, integrados à sua vida digital, sob seu controle.
Não é perfeito. Exige configuração. Tem custos (de API ou de hardware). Mas para quem quer automatizar tarefas repetitivas sem entregar seus dados para big tech, é a melhor opção disponível hoje.
Meu setup quebra várias recomendações oficiais. Funciona. Mas sei dos riscos. Faça suas escolhas conscientemente.
Aos meus amigos nerds, uma das coisas que mais me impressionou foi o quanto tudo isso me lembra a série de anime Ghost in the Shell.
Guilherme Favaron é VP de Tecnologia e escreve sobre IA aplicada em ia-aplicada.substack.com







